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O apontamento “simples” que vira dor: como prevenir antes da correição

O apontamento “simples” que vira dor: como prevenir antes da correição

15/01/26

Quem vive a rotina de uma serventia sabe: quando a inspeção chega, quase nunca é “um grande erro” que derruba a tranquilidade, é a soma de detalhes que ficaram invisíveis no dia a dia. E o mais frustrante é que, olhando depois, parecia óbvio.

O “problema aparecer tarde” não é falta de capacidade técnica. É um efeito previsível de rotina, volume e prioridades concorrentes. A boa notícia: dá para virar esse jogo com método de atenção aos detalhes, evidências e controles simples (mas consistentes).

Por que o problema não aparece “na hora” (ele só se acumula)

1) O que é repetido vira “normal”

Quando um processo é executado todos os dias, ele tende a ser tratado como “já resolvido”. O risco aqui é a normalização do desvio: uma exceção vira padrão, e o padrão vira hábito.

É assim que surgem apontamentos “simples” e indesejados, porque a inspeção enxerga com um olhar diferente: o olhar de quem não está imerso na rotina.

2) A serventia opera por urgência, não por evidência

A rotina é puxada, e é natural priorizar atendimento, prazos e demandas imediatas. O problema é que inspeção não avalia só “fizemos”, ela cobra “fizemos e conseguimos demonstrar com consistência”.

Sem um sistema mínimo de evidências (checkpoints, registros, revisões), a equipe se vê tendo que “reconstruir” decisões e atos, e isso costuma acontecer tarde.

3) Pequenas falhas são “silenciosas” até alguém medir

Alguns riscos não geram dor no momento. Eles só viram problema quando alguém confere:

  • se a transparência ao público está plenamente atendida;
  • se as informações em ambientes oficiais estão atualizadas;
  • se a cobrança aplicada corresponde rigorosamente ao enquadramento correto;
  • se o ato contém todos os elementos obrigatórios;
  • se os livros estão íntegros, formalmente corretos e bem conservados.

E tudo isso é exatamente o tipo de coisa que inspeções e correições observam com atenção.

Onde os apontamentos “simples” mais nascem

A seguir estão exemplos clássicos de pontos que costumam ser percebidos “tarde demais”, não por complexidade, mas por estarem espalhados na rotina:

Transparência ao público: mural e informações visíveis

Em visitas e correições, uma recorrência é o não cumprimento adequado da afixação de documentos e informações essenciais em mural com fácil acesso e visibilidade ao público, conforme o Código de Normas de SC. Isso compromete transparência e tende a gerar apontamentos.

Por que aparece tarde?
Porque mural não “quebra” nada. Ele só é lembrado quando alguém confere com checklist de inspeção.

Como prevenir com rotina:

  • responsável definido (titularidade clara);
  • revisão quinzenal (5–10 min);
  • registro simples do “ok” (data + responsável).

Controles em ambiente oficial: área restrita do Portal do Extrajudicial

Outra irregularidade frequente é a ausência de lançamento e atualização de informações na área restrita do Portal do Extrajudicial, o que compromete fiscalização e transparência e gera apontamentos.

Por que aparece tarde?
Porque a serventia funciona mesmo com o portal desatualizado, até o momento em que a inspeção cruza informações e percebe lacunas.

Como prevenir com rotina:

  • “janela fixa” de atualização (ex.: toda 2ª feira);
  • dupla checagem (quem lança x quem valida);
  • evidência: print/registro interno (sem burocratizar).

Emolumentos: quando um detalhe vira apontamento sério

Cobrança irregular (a maior ou a menor) aparece como situação grave em diversas serventias e recebe atenção especial em correições.
O risco não é só técnico; afeta diretamente o usuário e a confiança no serviço prestado.

O mais comum é acontecer por “detalhes operacionais” como preenchimentos equivocados, aplicação indevida de reduções e classificação inadequada do ato.

Por que aparece tarde?
Porque o erro pode ficar diluído em volume, e só aparece quando alguém audita padrão, amostra e consistência.

Como prevenir com rotina:

  • amostragem semanal (ex.: 10 atos/semana);
  • regra de “ato sensível = segunda validação”;
  • padronização interna (critérios claros por tipo de ato).

Escrituras: ausência de informações obrigatórias

Cada escritura tem particularidades e exigências; a ausência ou preenchimento incorreto de informações essenciais pode gerar nulidade, insegurança jurídica e questionamentos, e a Corregedoria dá atenção especial a isso nas correições.

Por que aparece tarde?
Porque o ato “saiu”, o atendimento fluiu, mas a inspeção vai “linha por linha” com padrão normativo.

Como prevenir com rotina:

  • checklist interno por tipo de escritura;
  • campos críticos obrigatórios (qualificação, descrição do bem, valores, ônus/gravames);
  • revisão antes da conclusão do ato (não depois).

Livros: patrimônio documental e formalidades

Os livros são patrimônio documental e a Corregedoria dedica atenção minuciosa à integridade, organização e conformidade, sendo comuns irregularidades como rubrica em margem inadequada, ausência de termos de abertura/encerramento, falta de assinatura do oficial e problemas de conservação.

Por que aparece tarde?
Porque livro também não “quebra” a operação no dia a dia — até o momento em que alguém confere formalidade e conservação.

Como prevenir com rotina:

  • rotina mensal de conferência formal (termos/assinaturas/rubricas);
  • controle de conservação e armazenamento;
  • registro de correções e responsáveis.

Como treinar a atenção aos detalhes sem virar burocracia

Aqui vai um modelo simples e eficiente (ABM-friendly: orientado a decisão e execução):

1) Transforme “detalhe” em processo com dono

Nada “some” quando tem responsável.
Defina 4 donos (pode ser a mesma pessoa em serventias menores, mas com clareza):

  • Transparência/mural
  • Portal/ambiente oficial
  • Emolumentos (padrões + amostragem)
  • Atos e acervo (escrituras + livros)

2) Crie checkpoints curtos (sem inventar trabalho)

  • Semanal (15–20 min): amostragem de emolumentos + 1 ato sensível revisado
  • Quinzenal (10 min): mural/transparência
  • Mensal (30–40 min): livros/acervo + itens formais
  • Trimestral (60–90 min): revisão “macro” do que está virando padrão errado

3) Registre evidência mínima

Não é relatório. É rastreabilidade:

  • data, responsável, “ok / ajustar”, e o que foi feito.

Isso reduz muito o “aparecer tarde”, porque o problema deixa de ser invisível.

Onde o Audit vira um aliado real

Mesmo com rotina forte, existe um limite: quando a equipe está imersa, alguns pontos cegos permanecem. É aí que o Audit se torna valioso: ele traz o olhar externo, normativo e sistemático — e ajuda a transformar riscos difusos em prioridades claras.

Na prática, o Audit funciona como:

  • um mapa de riscos do que pode virar apontamento (inclusive “coisas simples”);
  • um reforço de controle interno, para que a serventia não dependa de memória e improviso;
  • uma forma de ganhar previsibilidade antes de inspeções e correições — sem correr atrás do prejuízo.

Se a sua serventia quer parar de descobrir ajustes “em cima da hora”, o caminho é simples (e poderoso): rotina de detalhes + evidência mínima + revisão externa periódica. Nessa combinação, o Audit deixa de ser “uma auditoria” e vira um parceiro de segurança e consistência operacional.

fonte: Officer Soft